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27.9.26

Ilha Fiscal - RJ

A Última Festa da Monarquia

Ilha Fiscal no Rio de Janeiro
Cartão postal do Rio de Janeiro e também do Brasil, a Baia de Guanabara seduz quem a contempla e encanta com sua visão fantástica. 
Cantada em versos pelos poetas e considerada por muitos como a mais bela baía do mundo, pode ser apreciada do Corcovado mas descortina muitos detalhes para quem se aventura a partir das águas do mar.

É no mar que estão inúmeras ilhas, entre elas a Ilha Fiscal se destaca por seu castelo que hoje funciona como Centro Cultural da Marinha. 
Ponto turístico de lindas paisagens, a visita ao palacete é uma verdadeira lição de métodos construtivos, vivências de outras épocas e principalmente os episódios que marcaram a história do palacete e da ilha que também tem acesso para carros.

Antes da sua construção, a Ilha Fiscal era chamada de Ilha dos Ratos. 
Conta-se que uma grande quantidade de ratos habitava a ilha, mas o que se sabe é que haviam muitas pedras acinzentadas na praia que se pareciam com ratos. 
Tendo necessidade de uma sede alfandegária próxima às docas para fiscalizar os navios e coletar impostos, o Imperador D. Pedro II ordenou a construção do palacete que foi concluído em 1889.
Ilha Fiscal no Rio de Janeiro
O palacete se tornou famoso pela admirável qualidade de sua construção em pedra talhada e seus vitrôs. A bela ilha em águas límpidas e rodeada de golfinhos dava à construção uma característica marcante e imponente. 
Com um mosaico de madeiras nobres da flora brasileira, o piso é uma obra de arte de marchetaria formando desenhos variados.
O prédio pintado na cor verde-jade com adornos em cantaria, uma técnica desenvolvida pelos portugueses para o polimento das pedras, deram origem a peças esculpidas com precisão nos detalhes e o brasão dos Bragança. 
Um relógio alemão de 4 faces, originalmente com iluminação noturna, foi colocado na torre para fornecer a hora local aos navios que ali aportavam.
lateral do palácio Ilha Fiscal - RJ
O faustoso Baile da Ilha Fiscal foi organizado com muita pompa, requinte e excentricidade. 
Alguns interpretaram que o baile fosse uma demonstração de força e tentativa de promover o regime monárquico. 
D. Pedro II era um nobre respeitado que concedia audiência para os cidadãos comuns, mas apesar do apoio popular o império enfrentava oposições políticas e perda de prestígio.
Com quase 5.000 convidados, o baile durou até o amanhecer. 
A ilha ficou tão cheia que era impossível aos convidados entrarem no palacete ao mesmo tempo; muitos ficaram do lado de fora passeando pela ilha. 
Com excesso de ostentação, a ilha foi especialmente decorada com novos móveis e ricamente iluminada.
fachada decorada Ilha Fiscal - RJ
Historiadores contam que o último baile da monarquia, realizado no Castelo da Ilha Fiscal em 9 de novembro de 1889, aconteceu em homenagem aos oficiais do navio chileno Almirante Cochrane, que visitavam o país. 
Planejado para receber dois mil convidados, a festa contou com cinco mil pessoas. 

Toda a decoração foi feita com as cores do Brasil e do Chile: verde, amarelo, azul e vermelho. 
As danças típicas da época animaram a noite, ao som de duas orquestras completas. 
Entre elas, estavam a quadrilha, a valsa, a polca, os lanceiros, a mazurca e o galope.

O cardápio da festa foi farto e variado

Foram servidos 15 pratos frios, 11 pratos quentes e 12 tipos de sobremesa, além de 12 mil porções de sorvete de diversos sabores. 
As bebidas também foram abundantes: 
Foram consumidos 10 mil litros de cerveja e 304 caixas de outras bebidas, como vinhos, champanhe, licores e bebidas de outros países. 
Os ingredientes usados na cozinha e a mesa do jantar foram servidos 800 kg de camarão, 1.300 frangos, 500 perus, 64 faisões, 20.000 sanduíches, 14.000 sorvetes, 2.900 pratos de doces,
Com fartas e requintadas comidas e bebidas, o som de duas orquestras preencheram todos os ambientes durante toda a noite.
menu do baile na Ilha Fiscal - RJ

Como foi o Baile

Em torno de 3 a 5 mil pessoas participaram do baile, que foi até o amanhecer. 
A ilha estava tão cheia, que não era possível que todos os convidados entrassem no palacete ao mesmo tempo. Muitos ficaram apenas de fora a circular pela Ilha. 
Mas a comida e bebida era farta, requintada e foi servida à todas.
Duas orquestras tocaram por toda a noite enquanto os convidados dançavam e perambulavam pela ilha. O som das orquestras preenchiam todos os ambientes, inclusive ao ar livre, provavelmente e certamente o local onde a maioria dos convidados circulavam e dançavam.

Exposição de objetos sobre o Baile

Existe uma exposição permanente em uma das alas do palacete da Ilha Fiscal, que trata do "Ultimo Baile do Império", onde estão expostas algumas peças de vestuário, objetos decorativos utilizados e inclusive o convite original para festa.
Convite para baile nas Ilha Fiscal
A Ilha foi especialmente decorada e iluminada, vários e inúmeros móveis foram especialmente trazidos para festa, principalmente para decorar e ambientar os salões mais reservados ao Imperador e Princesa Isabel, mas o conforto foi proporcionado por toda a Ilha.

Quanto ao serviço foi luxuoso, e muitos pratos exóticos e requintados foram servidos. 
Os convites entregues ao convidados também eram luxuosos e carregavam ostentação desnecessária, mas talvez usual para a época ou para o tipo de evento a que os organizadores se propunham.

As Cenas do Baile e Quadro com Alegoria de Mudança do Regime

A pintura abaixo mostra o baile, com convidados vestidos à rigor e a Ilha iluminada durante a festa que só terminou ao amanhecer.

Pintura retrata o Baile da Ilha Fiscal

Abaixo, a principal parte do quadro de Francisco Figueiredo, cujo original se encontra no Museu Histórico Nacional, mas uma cópia se encontra emoldurada em um dos salões do palacete da Ilha Fiscal.
Quadro e pintura do baile na Ilha Fiscal - RJ
O quadro retrata o belo e faustoso baile organizado no local.
Dom Pedro II e a Família Real aparecem à direita, em torno do qual as pessoas se aglutinam, porém deixando um espaço vazio diante dele, e tendo perto, imediatamente ao lado os oficiais do Encouraçado Almirante Cochrane. 
D. Pedro é o homem de babas longas, cuja face aparece bem iluminada.

Uma alegoria de transição de regimes

A pintura de Francisco Figueiredo, cujo original está no Museu Histórico Nacional (com cópia exposta no palacete), traz um detalhe curioso.
A obra começou a ser pintada antes da Proclamação da República para registrar o evento. 
Porém, com a mudança política logo em seguida, o artista incorporou elementos alegóricos no topo da tela: nas nuvens, uma figura feminina inspirada na Marianne (símbolo da República Francesa e do famoso quadro de Delacroix) conduz os republicanos com a bandeira do Brasil. 
Ao lado, contrapõe-se a representação da Monarquia. 
Essa adição permitiu que a obra fosse aceita pelo novo regime sem riscos de rejeição ou censura.

Nunca se tinha visto tanto luxo no Brasil

Se o baile servia como prestígio junto aos políticos e aliados, muitos se sentiram desprestigiados por não terem sido convidados. 
Na verdade a monarquia já estava politicamente enfraquecida e faltava apenas um pretexto insignificante perante a opinião pública para colocar um fim no regime monárquico. 
Decorridos seis dias após o baile, no dia 15 de Novembro de 1889 foi proclamada a República do Brasil e D. Pedro II exilado junto com sua família. 
A farra com dinheiro público marcou a última grande festa da monarquia.

Museu 

Em 1913, a Ilha Fiscal foi transferida do Ministério da Fazenda para a Marinha e, atualmente, integra o Complexo Cultural da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). Em 1999, o espaço foi aberto à visitação pública. 
No local, há uma exposição permanente com peças de roupas, jóias, cartolas, bengalas e até o convite original do derradeiro baile do império brasileiro. 
Há também mostras temáticas, que revelam a participação militar no avanço científico do país. 
fachada do palácio Ilha Fiscal - RJ
O tempo passou e o castelinho, como é conhecido por muitos, que presenciou tantos acontecimentos históricos, é hoje um dos mais belos atrativos turísticos do Rio de Janeiro.
O visitante pode admirar a incrível área externa da ilha, de onde poderá ver por ângulo diferenciado vários pontos do centro do Rio, o Pão de Açúcar e a ponte Rio-Niterói. 

Como Visitar

O embarque e a validação do ingresso acontecem exclusivamente no Espaço Cultural da Marinha (Orla Conde / Boulevard Olímpico, s/nº, Praça XV, Centro - Rio de Janeiro).

  • Atenção: O acesso à ilha é feito apenas pelo transporte oficial disponibilizado pela Marinha (embarcação ou van credenciada). Não é permitido ir por conta própria em veículos particulares ou barcos próprios.

  • Dica: O seu ingresso dá acesso gratuito às demais atrações e exposições do Espaço Cultural da Marinha, por isso vale a pena reservar cerca de uma hora a mais para passear pelo local antes ou depois do embarque.

Além da visita à Ilha Fiscal, programe mais uma hora, para deliciar-se dos atrativos que estão no Espaço Cultural da Marinha. 
Essa visita é cortesia sem nenhum custo para você.Ilha Fiscal vista de cima - RJ

Um detalhe sobre as imagens da época

Curiosidade histórica: Como a tecnologia fotográfica de 1889 exigia muita luz natural e longas exposições, era praticamente impossível registrar os salões internos durante uma festa noturna. Por isso, a pintura de Francisco Figueiredo e as ilustrações dos jornais da época tornaram-se as principais e mais valiosas lembranças visuais desse momento histórico.

Resumo da Postagem

  • O Evento: O Baile da Ilha Fiscal aconteceu em 9 de novembro de 1889 para homenagear oficiais da Marinha do Chile, tornando-se a última grande festa do Império.

  • A Grande Curiosidade: O quadro do baile contém uma alegoria da Marianne no topo, inserida após a Proclamação da República para evitar a censura ao artista.

  • A Matéria em Números: Cerca de 5 mil convidados, 12 mil porções de sorvete, 10 mil litros de cerveja e 800 kg de camarão em uma noite de extrema ostentação.

  • Como Visitar: Embarque exclusivo no Espaço Cultural da Marinha (Praça XV, RJ), com transporte oficial e acesso gratuito às demais exposições do local.


26.9.26

Introdução

Camping Selvagem

Olá, pessoal, e todos os adeptos do campismo, sejam bem-vindos! 

A  frequência e os benefícios da vida ao ar livre são dados comprovados que mostram as vantagens do sol e exercícios, os bens que faz ao organismo o contato com a natureza, uma estada na praia, um camping onde inspira alegria e bom humor, dá energia ao corpo " especialmente à pessoas que trabalham muito", conservam elegância da mocidade, ficam uns verdadeiros Apolos.

O sedentarismo faz engordar, torna os músculos flácidos e moles, a pele enrugada, o homem e a mulher envelhecem precocemente, um homem de trinta anos parece ter quarenta e cinco ou mais.
Acreditamos que o verdadeiro campista está intimamente ligado com a saúde e o bem estar, sendo assim a melhor maneira é ter um contado direto com a natureza.

"O camping selvagem  mobiliza a variedade de opções quanto ao lugar, e pratica uma mentalidade essencial ao campista: a de saber improvisar com seus próprios recursos".
Camping selvagem
NOTA: este blog tem uma história meio irônica, ele é predecessor do blog Camping Natural, que alguns dos amigos já viram ou ouviram falar. 

Só, que quando o blog Camping Natural foi publicado, o Camping Selvagem já existia há 10 anos! 
É isso mesmo, então decidimos publicá-lo agora para ajudar ainda mais a vocês e avaliar resultados.
Não se impressione quanto algumas imagens e ou postagens serem relativamente parecidas (principalmente o modelo), isso deve-se da reminiscência do outro (Tal pai, tal filho). Para visitar e curtir Camping Natural clique aqui. Camping Natural

O termo camping selvagem, nesse nosso século, torna-se uma expressão um pouco "agressiva" para alguns, pelo fato de estarmos passando por uma fase de total preservação ao meio ambiente.

Assim mesmo, é ilusório, já que estamos todos focados em um só ponto - a natureza.
Haja a predileção por camping natural, por ser mais justo e aparentemente mais conservacionista.
Se quiser saber mais sobre o que é o camping selvagem/ natural leia em.. Regras do camping selvagem
As regras do camping selvagem
O campista sabe, por exemplo, que a caça e a pesca não são atividades predatórias se forem feitas na época certa e com os devidos cuidados (em parques nacionais de outros países a permissão para a caça e pesca visa a manter o equilíbrio ecológico, evitando-se a proliferação desordenada de certos animais).

Sabe ainda que a coleta de lenha e a utilização das fogueiras não não atentam contra a flora se forem observados vários cuidados elementares na escolha de galhos e na segurança dos locais de fogo.
Beija-flor e cuidados com a natureza
O verdadeiro campista não joga detritos na água, não faz fossa perto de rio e não espalha lixo na área, e são normas que sequer precisariam ser ditas.
O verdadeiro campista vai além desses princípios básicos de higiene.

O camping selvagem acarreta uma série de cuidados com a escolha do local, proteção da barraca, lixo, fossa, água, fogueira, proteção contra insetos e cobras, sempre visando à comodidade sem a depredação da área.
Alguns veem e pensam com certa estranheza sobre o camping selvagem, como sendo coisa de gente rebelde, sem rumo e sem muito relacionamento humano.
 
Mas chega-se a conclusão que, em se tratando de alguns campings organizados ou não, passam também por várias fases de transformações, se tratando de senso de comunidade e preservação do meio ambiente. 
E no caso de relacionamento humano, pode-se tornar alusivo o termo camping em toda a sua extensão e particularidade.
Camping Selvagem - Praia da bica - Angra dos Reis
O essencial é utilizar o maior número possível de recursos naturais, evitando levar em sua bagagem equipamento sofisticado e desnecessário.
O camping natural ou selvagem não é apenas  uma forma mais econômica de viajar; ele é um meio de fugir a rotina do convencional, de se entrar em contato com as coisas mais simples. 

Construir sua própria casa, protegê-la da chuva e do vento com nossas próprias mãos, cozinhar nossa própria comida, cuidar, enfim dos elementos básicos de nossa sobrevivência; são prazeres estimulantes e incrivelmente novos para quem está habituado ao conforto sedentário de nossa civilização.
Camping Selvagem - Riachinho
A arte do campista consiste justamente em utilizar os recursos que estão à mão.
Assim, se você -acampar em praia ou perto de rio, prepare-se para os cardápios à base de peixe ao invés de feijoada em lata. 
Leve o mínimo possível de compras de supermercado: você pode passar muito melhor com as frutas ou verduras da região. 

Em um camping selvagem existe a divisão de trabalho; cada um tendo suas tarefas, cada um ajudando numa coisa determinada.
No camping o trabalho conjunto aproxima pais e filhos, estimula as responsabilidades de cada um e o prazer de estarem todos juntos.
Camping Selvagem - Praia à noitinha
Se você é daqueles que nunca acampou, pense que essa pode ser uma excelente experiência de lazer, vida comunitária, junto com seus amigos e sua família, volta com a natureza e outras coisas novas que você aos poucos irá descobrindo.

Nesta aventura você vai ver que acampar não é um bicho de sete-cabeças, não é perigoso e desconfortável. 
É muito desagradável ter um acampamento estragado por uma noite mal dormida graças as intempéries: insetos, ao frio e buracos no chão da barraca, etc.

Mas você têm que ser paciente nos primeiros dias do acampamento. 
Para se descobrir um bom local paradisíaco, por exemplo, leva algum tempo para saber onde e como encontrar lenha, onde e como pescar e armar sua barraca sem ser atingido por árvores ou ventos.
Até chegar o dia de descobrir finalmente o seu paraíso "particular" preferido.
Camping Selvagem - Barquinho águas claras
Aqui tudo foi elaborado cuidadosamente, com o intuito de atingir ao principiante, aos que acampam de vez em quando, e até os veteranos, englobando todos os aspectos de uma forma ou de outra em torno do campista.
Leia com atenção, procure entender tudo o que achar importante e julgar necessário. A finalidade é ajudar você, a abrir novos horizontes, a cuidar de si, de sua família e amigos.

E, ao contrário do que se imagina, o camping natural (selvagem) oferece muito mais chances de aproximação com os moradores da região. Quando eles percebem que você está lá para curtir e não para depredar, ele próprios te ensinam todos os "macetes" do lugar.

Tendo esta agradável lembrança em mente de vários acampamentos e imaginando que alguns dos amigos ainda não praticaram esse tipo de lazer e desejariam faze-lo, vou tentar, dentro do possível, passar muitas informações e técnicas básicas colhidas ao longo dessas deliciosas aventuras.
"Você estar preparado é tão importante quanto o desejo de sobreviver.
Não se esqueça que por pior que seja o panorama, se você permanecer focado e otimista, pode vencer qualquer obstáculo". 
E também desejo aprender muitas coisas; até com você amigo, que espero a ajuda bem acolhida de toda e qualquer informação, para facilitar a todos um bom lazer e entretenimento.
Bem, só resta agora dizer-lhe uma boa aventura, e um feliz acampamento.

"O camping selvagem "natural": Além de ser comprovadamente mais seguro, com certeza é mais cômodo, prazeroso e econômico. Muito saudável e viciante; ele é muito mais você, é muito mais família. Sendo uma forma inesquecível e gratificante de se encontrar diretamente com a natureza. Venha, faça turismo, conheça lugares e participe dessa viagem ecologicamente correta".

Este artigo também está disponível em inglês: Introduction