Cachoeiras, Mistérios e a Maior Biodiversidade da Amazônia
O Parque Nacional da Serra do Divisor é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza localizada no estado do Acre, na fronteira com o Peru.
A administração do parque está atualmente a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Possui uma área de 843.000 hectares, sendo o quarto maior parque nacional brasileiro.

Possui uma área de 843.000 hectares, sendo o quarto maior parque nacional brasileiro.
Várias populações indígenas habitam o parque, tanto que já está sendo demarcada a futura reserva indígena rio Moa, além de seringueiros que já residem lá há algumas gerações.
Índice da postagem
Parque Nacional da Serra do Divisor - AC
O nome do parque origina-se de uma importante característica geomorfológica que existe na área.
Localizado na fronteira do Brasil com o Peru, mais precisamente ao noroeste do Estado do Acre, sendo banhado pela Bacia do Rio Juruá, que é a via mais importante de transporte da região.
O Parque é delimitado pelos Rios Acre e Javari.
A área de depressão corresponde ao Parque, que tem em média 300 metros de altitude.
Acesso ao Parque
O parque é aberto a visitação pública, é feito a partir da capital do Estado do Acre (Rio Branco), percorrendo 600 km de estrada de chão (BR-364), intransitáveis durante a maior parte do ano, ou por via aérea até Cruzeiro do Sul e a seguir mais dois dias de barco até os limites do parque.
Ele garante ao visitante uma experiência inesquecível na exuberância da floresta amazônica.
Nesse local você vai encontrar diversas atividades ecoturísticas como: a observação de aves e primatas, trilhas ecológicas, cachoeiras, vista do sol nascente e poente no mirante, e observação de estrelas.


As trilhas
Os acessos mais fáceis são para a cachoeira Pirapora I e o Buraco da Central (resultado da sondagem de petróleo, que resultou em um ponto de água mais quente).
Além dessas podemos encontrar trilhas para a Cachoeira do Amor, Cachoeira do Ar-Condicionado e Pirapora 2 que são mais curtas enquanto a trilha mais longa leva até a Cachoeira Formosa - para essa trilha é recomendado pernoite na floresta, onde há uma área de acampamento.
trilha na Serra do Divisor
Pernoite para descanso
O ideal para este passeio é o pernoite próximo à cachoeira.
O espaço conta com estrutura sustentável desenvolvida pela gestão do Parque, com redário e cozinha rústica no leito do igarapé.
A cachoeira Formosa tem um paredão imenso, poço com água cristalina e uma importância geológica por sua formação única no bioma amazônico.
Pernoite próximo à cachoeira

No parque também podemos encontrar 3 pousadas gerenciadas por famílias locais da região, dentro dos pacotes você tem acesso a transporte, alimentação, passeios e guias.

No parque também podemos encontrar 3 pousadas gerenciadas por famílias locais da região, dentro dos pacotes você tem acesso a transporte, alimentação, passeios e guias.
A melhor forma de chegar lá é usando um dos pacotes das pousadas que pegam os visitantes em Mâncio Lima e levam de barco até a Serra do Môa.
O que ver
Nos últimos anos o número de visitantes que buscam o parque para observar aves e mamíferos na natureza aumentou e isso se dá pelo fato de que muitos estão ameaçados e são protegidos dentro do Parque.
Sua vegetação é composta de dois grandes Sistemas Ecológicos Regionais: Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Aberta, com exemplares de palmeiras, cipós, bambus, orquídeas, e a presença da típica vitória-régia e muitas flores coloridas.


Cachoeiras
Pirapora I
A Cachoeira Pirapora I é uma queda d'água de fácil acesso localizada no Parque Nacional da Serra do Divisor.
Menor e de beleza cênica, ela deságua diretamente nas águas límpidas do rio Moa, exigindo pouco esforço físico para visitação.
Para chegar até ela, o visitante geralmente parte de barco da base em Mâncio Lima (porto Japim) rumo ao interior do parque.

Pirapora II
A Cachoeira Pirapora II no Parque Nacional, é uma queda d'água de fácil acesso, sem trilhas longas, localizada perto do rio Moa.
Suas águas calmas formam uma piscina natural cristalina, ideal para banhos tranquilos e seguros.
O acesso ao Parque costuma ser feito de barco a partir do município de Mâncio Lima, que fica a cerca de 30 km de Cruzeiro do Sul (AC).
A viagem de barco até a região das cachoeiras leva algumas horas. A Pirapora II fica a apenas 100 metros da Pirapora I.

Cachoeira do Ar-condicionado
A Cachoeira do Ar-Condicionado fica no Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima.
Com cerca de 5 metros de queda, ela forma uma piscina natural cristalina e ganha este nome devido à forte brisa fria e úmida que emana de sua correnteza.
Cachoeira do Amor
A Cachoeira do Amor fica no extremo oeste do Acre.
Com cerca de 20 metros de queda livre, é acessível por uma trilha leve de aproximadamente 750 metros (20 a 25 minutos de caminhada) margeando um braço de água cristalina.
Segundo a tradição local, a queda d'água possui águas abençoadas e reza a lenda que tomar banho na cachoeira fortalece o amor dos casais ou ajuda viajantes a encontrarem sua alma gêmea.
A Cachoeira Formosa é uma das quedas d'água mais impressionantes do Parque Nacional da Serra.
Formada pelas águas do Igarapé Anil, destaca-se por seus paredões rochosos e mata preservada.
O acesso exige uma caminhada imersiva de aproximadamente 4 horas pela floresta a partir da base de apoio.
A visitação exige planejamento, especialmente para contratar barqueiros locais (chamados de piloteiros) e guias credenciados, já que o local é remoto e exige uma logística específica de navegação e trilhas na Amazônia.
Para saber mais sobre a infraestrutura de visitação, autorizações e regras do parque, consulte a página oficial do ICMBio.

Buraco da Central
Trata-se de um poço de quase 700 metros de profundidade perfurado na década de 1930.
De lá, jorra continuamente água morna e sulfurosa devido a uma perfuração feita em busca de petróleo.
Diferentemente dos demais pontos turísticos, esse não foi formado pela ação da natureza, mas sim pela ação humana.
A riqueza encontrada, porém, foi água cristalina abundante, que jorra sem parar do fundo da terra.
O Buraco da Central é uma das atrações mais curiosas do Parque Nacional da Serra do Divisor.
A intenção era explorar a região em busca de petróleo, mas a perfuração acabou rompendo um aquífero profundo.
A água que sai do buraco é ligeiramente morna (cerca de temperatura superior à do Rio Moa) e tem um forte apelo turístico.
Por conta da alta pressão da água que jorra, as pessoas conseguem entrar no buraco e são empurradas para cima, criando uma espécie de hidromassagem natural em plena floresta amazônica.
A fauna é muito rica, no total foi registrada a presença de 1.233 espécies animais, dos quais 90 são considerados de valor especial para a conservação (76 de vertebrados e 14 de invertebrados).

A fauna é muito rica, no total foi registrada a presença de 1.233 espécies animais, dos quais 90 são considerados de valor especial para a conservação (76 de vertebrados e 14 de invertebrados).
Apresenta exemplares ameaçados de extinção como o macaco uacari-vermelho, mico-do-cheiro, onça-pintada, anta, preguiça, quati, tartaruga tracajá, boto-vermelho, tamanduá-bandeira, lontra, tatu-canastra, macaco-cara-de-sola, pacarana, jabuti, jacaré-tinga, além das 100 espécies de anfíbios, 30 de répteis, 14 de primatas, 55 de morcegos, 400 de aranhas e insetos, bem como as 64 espécies de abelhas.
A avifauna apresenta cerca de 500 exemplares, como o papagaio, e o araçari-castanho, típico peixe-boi que é um grande mamífero aquático da região.
Observação de aves e animais
A Choca-do-Acre (Thamnophilus divisorius), representada na imagem, ganhou destaque dentre as aves pois apresenta poucos registros.
Além disso a observação de primatas é um destaque para a região que abriga espécies como Soin-Preto (Callimico goeldii), Macaco-barrigudo (Lagothrix sp.), Uacari-De-Cabeça-Vermelha (Cacajao calvus rubicundus) que são as principais.

Lá também pode ser feita a observação de Borboletas e outras espécies que são bioindicadores ecológicos - são indivíduos usados para determinar o grau de desgaste ambiental de um local.
É considerado o local de maior biodiversidade da Amazônia.
Várias espécies endêmicas vegetais e animais são encontradas devido, em parte, à sua proximidade com o ecossistema andino, numa região de transição das terras baixas da Amazônia e as montanhas dos Andes.
🐦⬛ A ave choca-do-acre
Você sabia que só nesta serra existe uma ave que se chama choca- do-acre?
Descrita somente em 2004, sabe-se muito pouco sobre ela ainda.
À primeira vista, um passarinho pretinho que canta bonito.
Mas na hora em que você pensa que só este lugar no mundo reuniu condições tão singulares para que essa espécie evoluísse até o ponto que é hoje, você percebe quão especial é o lugar e a ave.

Não é só um passarinho, a choca-do-acre ainda tem poucos registros.

Não é só um passarinho, a choca-do-acre ainda tem poucos registros.
Ela vive entre 300-400 metros de altitude, no caminho ao mirante, avistada no cume do mirante não há mais de 100 metros de altitude.
Se com o aquecimento global as espécies que vivem em montanhas tendem a subir cada vez mais em busca de temperaturas mais amenas, então a choca-do-acre infelizmente pode não ter muitas gerações adiante.
O rio Moa
É um curso de água que banha o estado do Acre. Situado na serra do Divisor, fronteira Brasil–Peru, em suas nascentes está o ponto extremo ocidental do Brasil, no município de Mâncio Lima. Sua nascente principal está em território peruano.
O rio, que é afluente do rio Juruá, possui muitas cachoeiras e corredeiras e nesse região encontra-se a maior variedade de palmeiras do mundo! É navegável por embarcações de pequeno calado quase o ano todo.
Em algumas épocas do ano, surgem trechos de corredeiras e é possível a prática de esportes radicais.


Conclusão
Uma Experiência Inesquecível na Amazônia - Visitar o Parque Nacional da Serra do Divisor é desconectar-se do mundo urbano para imergir no coração pulsante da maior biodiversidade da Amazônia.
Seja pelas águas místicas da Cachoeira do Amor, pelo impressionante Buraco da Central ou pelo privilégio de estar no mesmo território que a rara choca-do-acre, essa jornada exige planejamento, mas recompensa o viajante com cenários intocados e memórias para a vida toda.
Prepare a mochila, contrate um guia local e permita-se descobrir o segredo mais bem guardado do extremo oeste do Brasil.



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